GREVES DOS CORREIOS - O QUE PODEMOS FAZER 01

São Paulo, 10 de outubro de 2011, segunda-feira

Faz dias em que os Correios estão de greve, prejudicando os vários cidadãos, entre eles eu, que precisava receber as contas e faturas a serem pagas. Pouco depois, surge a greve dos bancários, aumentando assim os transtornos da cidade de São Paulo, sem contar possivelmente de outras cidades e redondezas.

Devido aos jogos de interesses entre os envolvidos, muitos são prejudicados, e sem saber o que fazer. As próprias autoridades aparentemente mostraram-se coniventes com os casos. Mesmo com ameaças de punições quando os serviços públicos e os cidadãos são prejudicados. O porém é que muitos de nós não sabemos o que está ocorrendo de fato, e acabamos acusando as próprias autoridades ou órgãos que não tem nada a ver. E ficamos na dúvida se existe incompetências envolvidas, ou corrupção em algum esquema. Em todo o caso, se a situação ou os envolvidos vão ficar impunes.

Nesse caso, melhor do que reclamar, é procurar mais informações entre os envolvidos, relatar as observações feitas (e as experiências) e divulgá-las. Pois, elas são as melhores armas que o cidadão possa ter, para agir, no sentido de refrear os abusos cometidos por alguns. Ainda que 99% da população não corresponda à uma conscientização da cidadania, basta 1% (ou menos) para promover as mudanças. A minha premissa sempre foi essa: Por mais insignificante que sejamos, somos os agentes transformadores de comportamentos, idéias e valores. Pode ser desde um gari até um estudante universitário. Temos esse poder

A incompetência, impunidade e corrupção surge quando não fazemos nada. Reclamar não basta. É preciso reagir. Principalmente quando as autoridades, por alguma razão, tornaram-se coniventes ou não fizeram nada. Mas para não cometemos nenhuma injustiça com as nossas ações, nada melhor do que procuramos inquirir sobre os assuntos. Infelizmente muitos querem viver a democracia e a defende. Mas são poucos os que percebem que a verdadeira democracia implica na participação do próprio cidadão. Mesmo por mais detestável que seja esse envolvimento, porque é a nossa vida e futuro que está em jogo.


O caso dos Correios

    
O prédio do Correio, recém-inaugurado. No primeiro plano, as fontes de água, parada, e juntamente com a praça totalmente abandonada.


O novo Correio de São Paulo, reinaugurado no dia 30 de janeiro de 2008, depois de uma reforma, foi a meu ver, um verdadeiro estrago no patrimônio público, uma mutilação arquitetônica interna. Alega-se que a arquitetura anterior não era de acordo com o projeto original de escritório de engenharia Ramos de Azevedo. Porém funcionava e mantinha um bom movimento no seu dia-a-dia. Sem contar de que o estilo arquitetônico era de acordo com a época em que foi construído o prédio. Inclusive combinava com a fachada deste.

Hoje, o que nós vemos, é um enorme buraco espaço oco, sem vida, vazio e recheado de câmeras em cada canto, mirando no vazio, com o intuito de flagrar algum cidadão indignado e que queira documentar o ambiente com a presumível câmera fotográfica do seu celular. Foi o que me impediu de registrar essa estranha e nova anomalia arquitetônica da cidade. Mas o caro cidadão ou cidadã poderá conferir esse fato, visitando pessoalmente o local. É um ambiente digno de “1984” de George Orwell. O Estado policial que vigia, repreende e pune seus cidadãos...

Foram mais de três anos parados após a reinauguração, sem nenhum evento ou exposições. Suponho que era para ser um novo centro cultural da cidade. E aquele buraco espaço seja destinado às exposições, eventos etc. E os serviços dos Correios propriamente dito? Bem... Ficou no piso térreo, lá nos fundos. Com uma boa redução no número de suas caixas postais. Esse é um outro caso a ser contado:

Antes da reinauguração, o Correio precisou reduzir o número de caixas postais, porque muita gente deixou de usá-las. Eliminaram então os números acima de 3 mil ou 4 mil (se me lembro). Com isso, as empresas que tivessem os números de suas caixas acima dessa cota, tinham de alterar todos os seus dados e enviar os devidos avisos aos seus numerosos clientes e contatos etc. Um prejuízo.

Na época eu pensei: Mas não há um grande aumento no comércio eletrônico através da Internet? As pessoas não precisariam de meios para receberem suas encomendas? Afinal, mesmo com toda essa tecnologia, ainda não inventaram um meio de transportar eletronicamente as mercadorias - um teletransporate. Talvez daqui uns 100 ou 200 anos isso seja possível. Então, por que o Correio não criou uma campanha que incentive o uso dos seus serviços nesse sentido? Se a instituição argumentou a redução no uso das caixas postais por causa do uso de E-mails, por que o Correio não acompanhou esses avanços tecnológicos?

Por que o Correio de São Paulo não criou um serviço que intermedia o trânsito de mercadorias compradas através da Internet?

Afinal, supõe-se que o Correio seja uma instituição tradicional e de confiança. Imagine que você queira comprar um livro usado, e de um sebeiro que você não conhece. O Correio poderia fazer o papel do intermediador: Você depositaria o valor do livro mais as taxas no próprio Correio. E o sebeiro, por sua vez, enviaria o livro, recebendo na hora o seu valor. E o Correio enviaria a encomenda para você. Caso o sebeiro não faça isso, passado um prazo, o seu dinheiro é devolvido. Ficando, é claro, o Correio com a taxa pelo serviço prestado. É simples!

Se os Correios trabalhassem como intermediador, o próximo passo seria a reutilização das caixas postais inativas para o comércio eletrônico. Muitos fariam os seus negócios. E os Correios poderiam trabalhar em conjunto com a Receita Federal para entre outras, incentivar a abertura de microempresas e pequenas empresas.

Mas o pior desse caso está por vir: Depois de terem reduzido o número de caixas postais, simplesmente trocaram todos os armários pelos novos. Na época em que fizeram isso, eu era um dos clientes do Correio, e tinha uma caixa dupla. E optei por essa porque ela tinha o espaço para colocar as encomendas no tamanho ofício, sem precisar dobrá-las. Um dia fui consultar a minha caixa, e por surpresa, descobri que mudaram para uma caixa simples, que cabia apenas as correspondências simples. Eles alegaram de que as correspondência nos tamanhos ofícios seriam guardadas devidamente. Mas não foi por isso que paguei pelo serviço. Se tinham de trocar os armários, deveriam manter, respeitando as minhas exigências, a opção da caixa dupla. Pois, os novos armários também tinham caixas duplas!

Mas deliberadamente trocaram as caixas de correspondências, sem darem satisfações aos seus clientes. E depois, trocaram o tipo de serviço ou produto.

Foi daí que conclui de que o Correio não poderia ser uma instituição séria, e que respeite as exigências dos seus próprios clientes. Não trabalham direito. É um caso para investigar: Trocaram os armários, e tiveram de fazer as fechaduras de cada caixa. Um-a-um. Digamos que foram 3 mil caixas, quanto isto custou nos cofres públicos?

Quando perguntei o que fizeram com os armários antigos, parece que alegaram que foram para os correios de outros bairros, cidades... sei lá. Muito estranho. Os armários são de ferro. Muito difíceis de se desgastarem. Se recebessem novas pinturas, ficariam como que novos. O Ministério Público deveria entrar nesse caso.

A reinauguração do Correio, que foi no dia 30 de janeiro de 2008, teve a presença do então presidente da República, o sr. Luiz Inácio Lula da Silva, o então governador José Serra e o atual prefeito Gilberto Kassab. E no meio de uma maquiagem feita, no que era uma praça com fontes e queda de água, um belo cartão postal da cidade, e que foi abandonado pelas autoridades, sendo entregue aos sem-tetos. Veja o seguinte artigo:

.../cadernos/criadouro-da-Dengue-em-SP-01.html

Isto é, não puderam manter aquele lugar. Antes preferiram deixar que suas fontes de água virassem em criadouro de pernilongos e depósitos de lixo. Abandonaram os banheiros públicos juntamente com a base comunitária da Guarda Metropolitana de São Paulo. E o que era uma linda e pequena queda de água, defronte da base comunitária, virou em banheiro público dos sem-tetos.

Depois, resolveram secar as fontes, colocar cascalhos no que era a pequena queda-de-água, e murar a base comunitária juntamente com os banheiros públicos em total abandono, construindo um enorme caixão... Quanto saiu tudo isso em verbas públicas? Isto é, deste a implantação do novo Vale do Anhangabaú até o total abandono deste? É que reinaugurar o prédio de Correio chama mais a atenção. Parece que ninguém vai questionar a sua verdadeira função.


O que precisamos fazer:

Procurem os nomes dos responsáveis através das informações publicadas em mídias conceituadas. Divulguem ao máximo essas informações, mesmo daqui a 3, 10 ou 50 anos, quando todos esqueceram do caso. Isso para que alguém cobre dos responsáveis pelos seus atos. Esse é o mínimo que podemos fazer, como exercício da cidadania: Evitar que caia no esquecimento.



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