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AS BANCAS DE SEBOS E DE REVISTAS ENCALHADAS, E QUE FORAM SEQÜESTRADAS PELA PREFEITURA DE SÃO PAULO
São Paulo, 6 de agosto de 2009, quinta-feira.
Dona Alcina sofre de derrame, por causa da Prefeitura de S. Paulo
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Quando a Prefeitura arrancou a banca dela, e que ficava na Praça Alfredo Issa, ela, desesperada, acabou sofrendo de derrame cerebral, e com as conseqüentes seqüelas. Felizmente os filhos dela lutaram e ganharam a causa. Poucas semanas atrás, através do sr. José, que teve a sua banca
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igualmente arrancada, fiquei sabendo que a banca da Dona Alcina está de volta no lugar. Mas o que aconteceu? Fui pessoalmente perguntar a um dos seus filhos, o sr. Alexandre. Cabe a você, internauta, concluir se a ação da Prefeitura foi ilegal ou não.
Desde 1973 a Banca da Dona Alcina existe na região. E, segundo o depoimento de Alexandre, ela sempre procurou manter-se em dia todos os documentos. Em todas as gestões que vieram antes do sr. Gilberto Kassab, ela sempre ouviu a resposta de que ninguém vai mexer na banca dela. Ela sempre pagou os impostos, como manda a lei. Até que um dia...
A banca foi arrancada na calada da noite, quando não havia ninguém para contestar, e todo o mundo estava dormindo. Como toda a estrutura estava chumbada no concreto, foi preciso aplicar um grande esforço, provocando um barulho infernal. E todos os vidros estilhaçaram. Pelo o que eu saiba, segundo a lei, a ação precisaria ser feita na presença do proprietário da banca, o que não ocorreu. Quando os seus filhos foram reclamar, as autoridades pediram toda a documentação. Isto é, depois de ter arrancado a banca. Acontece que essa documentação estava dentro da banca, e os funcionários, no ato de desapropriação, misturaram tudo, juntamente com os livros, revistas etc.
Quem me contou sobre o derrame da dona Alcina foi a sra. Helena, dona do Esconderijo dos Heróis, e que teve a sua banca igualmente tomada pela Prefeitura de São Paulo. Atualmente a dona Alcina está fazendo fisioterapia, para tentar recuperar os movimentos comprometidos devido às seqüelas do derrame cerebral. Seus filhos vão mover uma ação contra a Prefeitura de São Paulo, pelo dano moral e de saúde com risco de vida.
Perigosas rebarbas e que provocaram acidentes
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Eu já sabia que geralmente as bancas são arrancadas à noite, quando seus proprietários não poderiam reagir. Um dia, quando passei na esquina da Rua Dona Antônia de Queirós com a Rua Itambé, deparei-me com a fundação de uma banca que havia no local. De imediato me chamou a atenção
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as rebarbas expostas, e que estavam enferrujadas, indicando que ficaram nesse estado faz um bom tempo. Segundo os lojistas que trabalham a poucos metros do local, já houve graves acidentes por causa dessas rebarbas. A prefeitura tinha arrancado a banca na calada da noite, perturbando o sossego dos moradores, uma vez que a área é residencial. E não tiveram o cuidado de eliminar as rebarbas. Isto é, um serviço de porco mal-feito.
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O caso da banca do José
Eu já tinha uma certa intuição de que ela iria ser retirada pela Prefeitura, quando decidi fazer as fotos. Porque o mesmo destino teve as bancas do sr. Emerson, seu Barba, do Eliseu etc. Com isso, a cidade perdeu as fontes valiosas de revistas esgotadas (mas novas), edições antigas, raros fascículos e até revistas técnicas e que deixaram de ser vendidas. Muitas dessas obras não se encontram sequer nos sebos tradicionais.
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Enfim, quando vi que o inevitável aconteceu, perguntei ao pessoal do estacionamento, e que ficava na proximidade, sobre o paradeiro do sr. José, e ele mesmo estava justamente lá, sem poder fazer nada. Mas tinha a mão e o braço enfaixado, o que brinquei perguntando se tinha brigado com o
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pessoal da Prefeitura. Foi apenas uma cirurgia que teve de fazer. Com mais de 50 anos de idade, a banca é a sua única fonte de renda, pois, não teria como obter um emprego com essa idade. Igualmente disse que vai ganhar a causa, através de uma assessoria. Foi através dele que fiquei sabendo que a banca da dona Alcina tinha voltado.
Geralmente esse tipo de ação da Prefeitura traz prejuízo para vários tipos de pessoas, tirando-os do mercado de trabalho, se não desempregos em si. Na situação atual, em que a busca de trabalho rendoso é crítico, mesmo que essas bancas estivessem irregulares, não seria o caso de procurar uma solução criativa? Mas vejamos outros exemplos:
O sr. Cosmo com seus livros
Ele mantinha a sua banca próxima à esquina da Rua Augusta com a Rua Antônio Carlos. E a sua renda supria um pouco o que
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ele ganhava com a aposentadoria. Talvez tenha extrapolado nos seus limites da banca, porque ele expunha as obras, apoiando na vitrine de um bureau gráfico que tinha na época. Mas ninguém reclamava. Era, ao meu ver, uma convivência pacífica.
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Quando a Prefeitura tomou a sua banca, esse senhor de idade ficou sem o que fazer. Então, decidiu vender as artes que ele fazia, mas na Av. Paulista, durante os fins-de-semanas. Eu mesmo o vi lá, durante as minhas incursões para aqueles lados. Até que um dia ele sumiu. Bem mais tarde o encontro na galeria do Center Três. Ele me disse que estava expondo os seus trabalhos na Praça Buenos Aires, lá no Higienópolis. Mas a Prefeitura um dia passou lá e simplesmente tomou todos os seus trabalhos e literalmente jogou em cima do caminhão. Agora nem sebeiro, nem artista plástico. Viver de quê?
O seu falecido Antonio Bonângelo...
Esse senhor tinha uma banca de sebos em frente à Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Quando ele faleceu, o seu filho, André, tomou o seu lugar. Talvez não tinha a mesma vocação do seu pai, mas era uma forma de sobrevivência. Pai de familia, o rapaz tocava a banca até que um dia a Prefeitura de São Paulo tomou-a. Nas últimas vezes que o vi, ele estava cuidando das carroças de papéis velhos, e que se encontravam
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perto da outrora banca. Juntamente com as carroças, ficavam os sem-tetos. E olha lá, esses permaneciam no local, por um bom tempo depois do sumiço da banca, degradando o lugar. Ao anoitecer, toda aquela região do Largo São Francisco é tomada por uma legião de sem-tetos, passando da casa dos 300 indivíduos. Ninguém mexe nos sem-tetos, mas a banca do sr. Bonângelo deixou de existir. E fiquei sabendo que o rapaz (André) foi visto puxando uma carroça...
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No caso da banca do sr. Bonângelo, tal como do sr. Walter, e que ficava ao lado da Faculdade de Direito, do sr. Carneiro e muitos outros que sumiram, ocorreram em outras gestões da Prefeitura. Diria desde o tempo do ex-prefeito Paulo Maluf ou até antes, passando por Pitta, Marta Suplicy, José Serra etc. Mas, somado ao procedimentos como é feita o rapa contra os camelôs de São Paulo, pode-se dizer que o modus operanti é o mesmo, o que supõe-se que essas ações provavelmente vêm de um mesmo grupo, dentro da Prefeitura, e que permanece lá, independentemente de quem seja o prefeito.
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