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OS VELHOS SEBOS (alfarrábios) EM LIBERDADE
São Paulo, 20 de abril de 2009.
Na semana passada, resolvi dar um pulo no bairro da Liberdade (aqui em São Paulo), conhecido pela grande concentração de sebos. Mas já era a hora do almoço, e eu saí da casa sem ter feito a minha devida refeição. E o café da manhã, não entrou nem um pouco de proteínas. Preciso muito delas. A princípio, pensei em passar lá no MacDonald da Praça da Liberdade. Mas achei que não compensava pagar mais de R$ 10,00 por um sanduíche com suco de laranja e batatas fritas. Cogitei então, naquele restaurante que vendia yakisoba a preço promocional Mas as ofertas terminaram. Decidi na ocasião em economizar. Fazer o quê? Salgadinhos? Nem pensar.
Foi quando, então, passei no Largo 7 de Setembro (começo da Avenida da Liberdade), e próximo ao sebo Raiz Cultural , onde se encontrava um lanchonete da Habibs (nº 46). As esfilhas de carne custavam R$ 0,49. Mas o refrigerante estavam muito caro: Mais de R$ 3,00. Um abuso. Decidi primeiramente em contentar-se com três esfilhas: Ao todo, uns R$ 1,50. Tinham o direito de um gomo de limão para cada uma delas. Ótimo. Saindo de lá, ainda demorei para apreciar os livros do sebo Raiz Cultural. Mas na ocasião, tinha mais as obras jurídicas em ofertas (logo na entrada). O movimento era grande. Um tipo de queima de estoque.
Resolvi atravessar a Praça João Mendes. E logo ao lado do sebo Nova Floresta , onde havia uma loja de ervas medicinais, agora é uma grande doceria de nome Chocoyama (nº 19). Entre uma Coca Zero, que saia por R$ 1,80, e uma lata de suco de frutas, de marca Disfrute por R$ 1,90, fiquei com esse último. Gastei no meu almoço cerca de R$ 3,40. Dando a passagem na Nova Floresta, vi que estava um pouco parado o movimento. Seus vendedores não pareciam lá animados. Como eu não estava afim de demorar no local, resolvi ir em direção à Rua Álvares Machado, onde se encontra a maior concentração de sebos da cidade. Não é que você vá encontrar um grande número de sebos pois, tem apenas uns cinco. E sim, porque a rua é muito pequena. Nas redondezas porém, somam mais seis, incluindo o Raiz Cultural. Mas na Álvares Machado, o sr. Pedro (sebo Os Pensadores ) continua a vender os livros em ofertas: R$ 2,00 cada livro (os que se encontram em frente da loja), R$ 10,00 os demais, e R$ 5,00 os livros jurídicos.
Um espírita intransigente
Na volta, resolvi passar em um outro sebo - Mania de Cultura (antigo Sebo Mendes) - onde se encontra o sr. Rui, um conhecido sebeiro, e que trabalhou em dois sebos no bairro de Pinheiros. Na ocasião, estava um rapaz disposto a comprar uma Bíblia. Fato que me chamou a atenção, porque ele estava tentanto pechinchar o preço com o sr. Rui. E eu brincando disse que se ele chorasse um pouco mais, é bem capaz que o vendedor faça um preço camarada. Principalmente se disser que você pretende comprar mais ali. A princípio ele até brincou um pouco. Mas como no momento pareceu-me ser um cliente qualquer, e provavelmente um evangélico, perguntei-o qual era o interesse dele pela Bíblia. Se ele é evangélico. O que respondeu exclamando mas como você é curioso! e completou dizendo que é espírita.
Levando-se em consideração a boa vontade dele em conversar, apesar da minha pequena intromissão alheia, resolvi prosseguir, tocando em questões espirituais. Entenda: Nós crentes evangélicos (eu sou um deles) quando podemos, falamos do Evangelho. Mas existe uma idéia equivocada de que queremos converter alguém, ou impor a nossa doutrina. E em cima desse equívoco, somado a outras questões, envolvendo certos grupos pentecostais e as mídias, leva-se a um consenso de que os crentes são em geral fanáticos, ignorantes, de visão estreita, ou coisa do tipo. O que dificulta em muito a compreensão dos não-crentes, e conseqüentemente, levam-os em certos casos a adotar uma atitude intolerante. Ou seja, no fim, quem pratica a intolerância não é o crente, e sim, o não-crente.
Em suma: Depois de uma pequena conversa, onde tentei mostrar que as diferenças doutrinárias são cruciais, ele, esse rapaz, simplesmente não quis prosseguir com a conversa. Infelizmente naquela ocasião eu não estava com a minha percepção devidamente afinada. O que insisti, não uma vez, na conversa. A situação tornou-se tensa, e obviamente acabou reforçando a idéia de que os crentes são fanáticos conversores de doutrinas alheias. Não é preciso dizer que para esse caso, eu é que estava errado, ainda que na verdade estava tentando corrigir o equívoco provocado. Mas a cada insistência evidentemente que o desentendimento aumenta...
Geralmente faço a questão de respeitar as outras doutrinas, não dizendo com isso que concordo com elas. Antes, procuro compreender as demais crenças. Porém, faz parte do universo do crente essas atividades consideradas como proselitismo, isso porque as questões espirituais e metafísicas têm suas implicações, e que para nós selam o destino as almas. Além de mais, trata-se de um mandamento a qual o crente está sujeito (Marcos 16:15). Mas isso não significa que queremos converter a alguém, ou forçá-lo a seguir uma determinada crença. Pois, isto é completamente contrário à doutrina evangélica.
Mas, levando-se em conta das esperiências com os espíritas, eles geralmente são mais intolerantes ou radicais. Isso quando comparado com outras crenças. Evidentemente que não tive nenhum caso dessa intolerância, em relação aos muçulmanos. Talvez porque, devido à repercução da mídia, eu, da minha parte, fico bem reservado, quando trato com eles. Pode parecer uma piada, mas a idéia de que todo muçulmano é um homem-bomba em potencial, apesar de infundada, fica no nosso inconsciente. E, no lado deles, a repercução dos atentados terroristas também marcam as relações entre nós. Das poucas vezes em que tive contato com os muçulmanos, eles até tentam mostrar-se aberto ao diálogo com outras crenças. Mas são igualmente proselitistas. Pois, faz parte da religião deles também.
Mas no caso dos espíritas (kardecistas), em um primeiro caso em que propuz um diálogo sobre assuntos espirituais (faz muitos anos atrás), conversando com uma senhora espírita, ela simplesmente disse que como a minha doutrina é contra à dela, então, não quer nenhuma conversa comigo. Mais recentemente, quando eu disse a um rapaz de que por causa da minha postura evangélica não faço determinadas coisas, ele simplesmente respondeu dizendo que indiretamente nós os crentes declaramos superiores a outros, e que a minha atitude é de prepotência. É complicado conversar com esse tipo de gente. Detalhe: Antes da minha conversão para Cristo (tornar-se em um crente evangélico), fui espírita também, e de tendência kardecista (não declaradamente). Isto é, não segui toda a doutrina kardecista. Igualmente eu era estudioso do esoterismo e tinha os meus próprios oráculos: Eu estava me iniciando nas práticas ocultas e de adivinhação.
O roteiro continua...
Saindo do Centro Velho de São Paulo, resolvi ir em direção à região de Sta. Efigênia. Pois, geralmente passo lá para ver as novidades tecnológicas, uma vez que por uma certa necessidade, preciso estar a par dessas inovações. E de sobra, trocar as idéias com um amigo sebeiro, e que trabalha naqueles lados. Mas aí é um outro post a ser colocado aqui.
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COMENTÁRIOS FEITOS:
02/06/2009 - 01:05 - Bira Câmara - É isso aí, Zadoque! Vai ver esse espírita é adepto do Paulo Freire, ou seja: acha que o diálogo só pode existir entre pessoas que pensam igual....
Um grande abraço!
Aproveito e divulgo meus blogs:
Jornal do Bibliófilo:
http://jornalivros.co.cc/
Pinturas:
http://www.biracamara.blogspot.com/
02/06/09 - 20:04 - Zadoque - Bira, desta vez fiquei surpreso
com as tuas artes. Além de pertencer à Velha Guarda (como eu), você é bom com a arte digital. Ok! Resolvi postar aqui uma pequena amostra. Espero que você não considere isso como um uso inapropriado da imagem. É para que o internauta tenha uma idéia do que estou me referindo. Mas você poderia divulgar esses trabalhos na Da Vinci Gallery (e lucrar com isso). Ainda vou postar as minhas artes. A gente se vê por aí.
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