CIDADE UNIVERSITÁRIA: CRÔNICAS DO MEU TEMPO DE ESTUDANTE

São Paulo, 08 de dezembro de 2011, quinta-feira.

Os revolucionários apreciadores do Cannabis 01

Encarnação de Marx no campus da USP

O seu Valdo (o nome é fictício) era um sebeiro que vendia os livros em frente do bandejão central da USP (o restaurante da universidade). Como estudante, ele fazia a História no FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas). Parecia que ele já era apreciador da erva (o baseado, a maconha), e alguém tinha me sugerido isso. Não vou afirmar que de fato seja. Mas houve uma pequena alteração comportamental nele. Tanto na maneira de pensar, como de vestir. Antes, o sujeito estava começando a sofrer com a miopia. E não tinha dinheiro para comprar os óculos. Depois, o seu acervo de livros e revistas usadas pioravam em qualidades e estados. Ele os vendiam de qualquer jeito e em quaisquer condições. Era evidente de que estava precisando de dinheiro.

Naquela ocasião, eu tinha perguntado para ele o porquê de não fazer um exame de vista e providenciar um par de óculos. Ele prontamente respondeu de que não precisava disso. Pois, é uma questão de exercícios para melhorar a visão. Em outras conversas, ele se posiciona contra tudo que seja maneira capitalista de viver. Pensei então se ele queria ser um revolucionário ou não. Mas já vi o estado alienado em que ele se encontrava. E pensei comigo de que melhor seria me afastar desse tipo de gente.

Mais tarde, Valdo ficava na entrada do bandejão, para conseguir um ticket ou “boquinha”. Ficava vagando, olhando de um lado para o outro. Era visível o estado financeiro dele: Usava uma calça curta ou pequena para o seu tamanho (que era grande), e que mal cobria as canelas. Possivelmente a roupa era doada, ou ele conseguiu por aí. Aparentemente não o vi mais vendendo os livros. Nem em frente do bandejão, nem no prédio da História. Mas o que me espantou mesmo era a sua aparência física: Deixava a barba e os cabelos crescer de vez. E agravado pelo fato de ficar apertando os olhos (por causa da miopia avançada), era o próprio Marx em pessoa!

Passado um certo tempo, um colega (ou uma) presenciou ele a remexer as lixeiras, e retirar um copo usado, com um pouco de suco ou líquido. Ele simplesmente sorveu o líquido! E também, a retirar restos de sanduíche. Simplesmente comeu-os!

Posteriormente, fiquei sabendo que ele foi jubilado do curso de História. Antes, ele tinha agredido um funcionário do estabelecimento, com um soco certeiro, derrubando-o a ponto de quebrar o vidro do “Aquário”. Aquário aí, é o espaço formado com divisórias de vidros, e que se encontra(va) no prédio de História. Aonde eram feitas as exposições e eventos culturais. Também fiquei sabendo que ele era o temido estuprador das redondezas: Atacava diretamente as garotas de lá e de outras unidades.


Uma garota meio perdida por aí...

Um outro caso é de uma garota (talvez das Letras). Infelizmente não me lembro do nome dela (portanto, é melhor não dar um nome fictício). Na época eu estava fazendo o grego clássico. E a conheci por lá. Era meio esquisita, em termos de comportamentos. Mas um dia, ela estava de fato alterada, e eu não percebi. Fui apresentá-la para o professor Medina, que leciona o grego na unidade. E a garota começou a falar bobagens... O professor olhou para mim, como quem que fosse me fazer certas observações de ordem psiquiátrica... Certamente que desde aquele dia, nunca mais fui visto do mesmo jeito. “Digas com quem andas e te direi quem és”. Quem anda com pessoas problemáticas só pode ser igualmente problemática.

A garota aparentemente se recuperou, mas não parecia normal, e sim, como uma bêbada crônica em estado sóbrio. Dava a impressão de que teve parte do seu cérebro cozinhado... Até que um dia a encontrei no lançamento de um livro nas Sociais (a esta altura eu já era estudante de Ciências Sociais). E ela, ao ver que eu estava com o equipamento fotográfico, cismou para ser fotografada dentro de um espécie de mostruário - uma mesa com uma caixa de vidro por cima - destinado a expor os materiais. Eu recusei, porque não sou de ficar fotografando qualquer coisa por aí. Ela então, sentiu-se ridícula, porque tinha entrado no mostruário, e perdeu a estribeira: Começou a soltar os impropérios diante de mim.

Simplesmente não fiz nada, pois, a cena por si era patética. E evidentemente os presentes sabiam de quem era a parte do “show”.

Mais tarde (bem mais tarde mesmo), a encontro em um sebo do Jardim Paulista. E como fui apresentado pelo próprio sebeiro, disse-o de que já a conhecia. Ela então me cumprimentou. Suponho que tenha esquecido do episódio, e talvez por causa da erva. Mas achei melhor não arriscar na conversa, de modo que ela venha a lembrar-se do triste caso... Possivelmente se foi por causa da erva, e se ela ainda a consome, então, passado alguns minutos, horas ou dias, certamente esqueçerá de que me cumprimentou. Ótimo! Não sei... Nunca experimentei essa porcaria, e não sou idiota para fazer isso.


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São Paulo, 02 de novembro de 2011, quarta-feira, madrugada.

Maconheiros perdem a causa e invadem a reitoria da USP
Tiveram de abandonar o prédio administrativo da FFLCH-USP (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo), e depararam com um grupo de 300 estudantes que manifestaram a favor da permanência da Polícia Militar no Campus da universidade. Decidiram então arrombar o portão da Reitoria, na calada da noite, e com pedaços de paus. Veja os links abaixo:

• http://veja.abril.com.br/.../estudantes-da-usp-pedem-pm
• http://blogs.estadao.com.br/.../manifestantes-atacam-portao-e...

Lembrei-me da época em que faltou a luz em toda a universidade, e as aulas tiveram de ser interrompidas. Na escuridão dos prédios de Ciências Sociais, começaram a reunir grupos de estudantes. Isto é, no meio de escuridão quase que total. E eu esperando pelo retorno da luz. Em pouco tempo o ambiente todo foi tomado pelo cheiro de maconha. Tive de sair de lá, e com dores de cabeça! Estava fumando por tabela! Será que ainda tem esperança para a Educação?


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31/12/2011 - 22:10 - Vinícius - Muito me surpreende que um sociólogo tenha uma visão tão preconceituosa sobre os usuários de maconha. (Não estou querendo dizer que todos os estudantes de sociais ou qualquer outro curso de ciências humanas tenha que utilizar essa droga, conforme a maior parte das pessoas pensam), mas registro aqui a questão: O fato da pessoal ser usuária faz com que a mesma seja menos digna? Como se pode chamar um usuário de idiota pelo uso desta droga ? Talvez seria melhor rever esse pensamento pobre e carregado de preconceitos, pois devemos apreender a conviver com a diferença, e com elas. “me diga com quem andas e direi quem tu és”... Digno de dó.

06/01/2012 - 21:03 - Zadoque - Vinícius, eu não chamei ninguém de idiota por causa do uso da droga. Apenas disse que “não sou idiota para fazer isso”. Quem usa essa droga tem lá as suas razões. Logo, não deve ser idiota. Eu, porém, não tenho. Os artigos citados acima mostram as conseqüências, e que eu percebi, em quem que usa essa droga. E a impressão que tive é justamente isso: Cérebro cozinhado, estado de alienação, certos comportamentos anti-sociais etc.

As minhas observações são abordagens tiradas da memória, para entender o comportamento dos estudantes universitários da USP. Isto é, conseguindo um certo distanciamento, alcançado pelo tempo, para analisar as minhas experiências como universitário. Mas... pensando bem, quando alguém usa as drogas que possam lhe fazer mal, o que ela de fato é, em termos de comportamentos coerentes? Qualquer termo que for usado pode ter um cunho pejorativo. Não precisa ser a palavra “idiota”. Pode ser: “Doente”, “alienado”, “desiquilibrado” ou até “maconheiro”.

Para que não reste as dúvidas que a maconha faz mal, veja o seguinte artigo, do médico Pedro Pinheiro: http://www.mdsaude.com/2008/09/marijuana.html
Além disso, como você mesmo reconheceu: É uma droga.








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